" Essa última parte da história - minutos antes de a bossa nova se materializar - pode ser contada também da seguinte maneira.
Nos dez ou doze anos que se seguiram ao fim da (Segunda) Guerra, a música popular brasileira morou nas boates, que ficaram quase todas em Copacabana. Seus frequentadores sabiam viver a noite: eram grã-finos, playboys, diplomatas, empresários, industriais, políticos, advogados, jornalistas e muita gente de fora - homens viajados, de terno bem cortados, com garçonnière no centro da cidade, muito ou nenhum dinheiro no banco e alguns com estreitas relações no Palácio do Catete, sede do governo federal. As mulheres por sua vez, eram bonitas, chiquérrimas, vamps e fatais, com vestidos generosamente decotados, comprados na Casa Canadá, e com hora cativa diária no salão ou no cabeleireiro.
As boates eram o templo de uma boemia adulta, inteligente, que fumava cigarros americanos, tomava uísque 12 anos e vivia as paixões mais sofridas e insolúveis da história da humanidade.Não eram apenas certos homens que se martirizavam ao ver esta ou aquela mulher deslumbrante adentrar a boate de braço com o bolha do marido medíocre e poderoso. Eram todos. E eram também certas mulheres que se descabelavam em silêncio porque o homem de seus sonhos, sentado à mesa ao lado, era casado com sua melhor amiga.
A música produzida em tal ambiente acompanhava essa dor de cotovelo quase cósmica: belos samba-canções, sofisticados melodicamente, mas já meio chocos ritmicamente e arrastando letras pesadas e soturnas, que diziam coisas como "Ninguém me ama/ Ninguém me quer / Ninguém me chama / De meu amor". Ou: "Garçom, apague essa luz/ Que eu quero ficar sozinho". Ou ianda: "Risque / Meu nome do teu caderno / Que eu não suporto o inferno / Do nosso amor fracassado"- letras que apenas retratavam o sentimento ali reinante.
Que fossa! E, às três ou quatro da manhã, o martírio começava a se reflitir no aspecto das pessoas: as mulheres tinham a maquiagem borrada, o cabelo desfeito, vestido amassado ; os homens, cada vex mais sofridos, enxugavam garrafas e ficavam incovenientes. Com todas as portas e janelas fechadas, não se sabia se ainda era de noite ou se já era de manhã lá fora. E também ninguém queria saber.
Até que, certo dia, por valta de 1958, algém se arrastou até a porta e a abriu. O sol entrou pela boate e quase transaformau aqueles vampiros em pó. Mas eles, armados de coragem, saíram à calçada - a princípio, cambaleantes, meio cegos pela luz - e constataram, surpresos, que a praia parecia chamá-los. Magicamente então não estavam mais em Copacabana, mas em Ipanema. Ad moças a caminhos do mar já não eram as vamps, as mulheres fatais , com olhar duro, o rímel escorrido e uma alça do vestido preto caindo pelo braço, mas as meninas, os brotos de biquíni, as garotas douradas. Todos, até mesmo eles pareciam de repente mais jovens. E a música não era mais o samba-canção, a dor de cotovelo, a fossa, mas a bossa nova."
Rui Castro, Canções do Rio.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
Katachi
A palavra katachi em japonês é dificil de traduzir e mesmo para os japoneses seu significado é multiplo: pode ser forma, feitio, simetria, o casamento entre beleza e funcionalidade. O sentido da forma. Pode querer dizer as muitas formas (shapes) nas quais podemos produzir um mesmo objeto. A palavra ainda traz conceitos de elegância e também está associada a questões espirituais. Seria um importante conceito de harmonia. Resumindo: se algo "tem" katachi, digamos que é "bem" japonês.
A elegância das formas deve corresponder aos nossos sentimentos.Que a imagem harmônica deve ser a relação de um espírito idem. Que a busca pela beleza (seja ela qual for) deve estar também na roupa secando, na tampa de um bueiro, no rótulo da garrafa, numa placa de trânsito, no guarda napo dobrado.
Por Alberto Renault, revista Modo de Vida.
A elegância das formas deve corresponder aos nossos sentimentos.Que a imagem harmônica deve ser a relação de um espírito idem. Que a busca pela beleza (seja ela qual for) deve estar também na roupa secando, na tampa de um bueiro, no rótulo da garrafa, numa placa de trânsito, no guarda napo dobrado.
Por Alberto Renault, revista Modo de Vida.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
A origem do amor, o mito que parte do pai e da mãe das coisas e dos seres
Achei engraçado como os gregos na Idade Antiga costumavam criar explicações através de mitos observando comportamentos e as pessoas.
"Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto e engenhoso). Dessa relação sexual nasceu o Eros (ou cupido), que como a sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas como o seu pai, tem mil astúcias para satisfazer e se fazer amado. Por isso quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida."
(Chauí, Marilena. Convite à filosofia.)
"Houve uma grande festa entre os deuses. Todos foram convidados, menos a deusa Penúria, sempre miserável e faminta. Quando a festa acabou, Penúria veio, comeu os restos e dormiu com o deus Poros (o astuto e engenhoso). Dessa relação sexual nasceu o Eros (ou cupido), que como a sua mãe, está sempre faminto, sedento e miserável, mas como o seu pai, tem mil astúcias para satisfazer e se fazer amado. Por isso quando Eros fere alguém com sua flecha, esse alguém se apaixona e logo se sente faminto e sedento de amor, inventa astúcias para ser amado e satisfeito, ficando ora maltrapilho e semimorto, ora rico e cheio de vida."
(Chauí, Marilena. Convite à filosofia.)
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
2011 tempos modernos
Eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia que insiste em nos rodear...
Eu vejo a vida mais clara e farta, repleta de toda satisfação que se tem direito do firmamento ao chão...
Eu quero crer no amor numa boa, que isso valha pra qualquer pessoa que realizar, a força que tem uma paixão...
Eu vejo um novo começo de era de gente fina elegante e sincera, com habilidade pra dizer mais sim do que não, não, não...
Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir. Não há tempo que volte amor. Vamos viver tudo que há pra viver.Vamos nos permitir...
Eu quero crer no amor numa boa, que isso valha pra qualquer pessoa que realizar, a força que tem uma paixão...
Eu vejo um novo começo de era, de gente fina elegante e sincera com habilidade pra dizer mais sim do que não...
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